11 abril 2018

O Desejo de Ostentar

Anos atrás estava com um amigo, um bem-sucedido executivo e profissional de vendas, em um shopping center. O sujeito parou para ver uma máquina de fazer gelo, que custava algo em torno de dois mil reais, mas, segundo ele mesmo, dava para fazer um balde de gelo em poucos minutos. “É para as festas; sempre falta gelo...”, explicou. Franzi os olhos e comentei que do lado da casa dele havia um posto de gasolina, onde se poderia comprar um saco de gelo por uns cinco mangos – naquela época. O dinheiro que gastaria dava para uns 400 sacos. Dois por festa, cinquenta semanas por ano: quatro anos de gelo! Sendo mais comedido, renderia uns oito anos de boas esbórnias. A máquina certamente quebraria antes de se pagar.

Na hora ele não comprou, mas deve ter passado por lá depois. Em casa, ele tinha um monte de quinquilharias sofisticadas: máquina para balançar relógios de corda, cabide elétrico giratório para guardar gravatas, chão aquecido no banheiro para os dias de frio e por ai afora. Um luxo só!

Luxo e luxúria são palavras com significados diferentes, mas que têm a mesma origem e andam muito próximas. Ambas vêm da palavra luz – do latim lux - e como ela, na medida certa ilumina o nosso dia, mas se for demais, ofusca nossa vida e nossos pensamentos.

O luxo está relacionado à ostentação e esplendor, ao supérfluo, aquilo que agrada sem ser exatamente necessário. No entanto, caso não se tome cuidado, do luxo pode advir a luxúria, o pecado capital daqueles que têm apego excessivo aos prazeres materiais. É aqui que entra o perigo para quem trabalha em vendas.
Ambas vêm da palavra luz – do latim lux - e como ela, na medida certa ilumina o nosso dia, mas se for demais, ofusca nossa vida e nossos pensamentos.

A luxúria em vendas

Em artigos anteriores, abordei temas como ganância, ira, gula, inveja e soberba no dia a dia das empresas. Ao refletir agora sobre a ostentação, muitas vezes tão incentivada na cultura de consumo que nos cerca, penso que quem é vendedor, ou empresário, precisa lidar diariamente não somente com necessidades, mas também com os desejos das pessoas. Somos profissionais que precisamos compreender impulsos, vontades e pensamentos dos outros para conseguir vender.

O fato é que o ato de comprar gera prazer para muitos, e pessoas mais inseguras ou insatisfeitas acabam buscando compensações – em geral, apenas no plano físico ou material. O ato de comprar gera tal compensação e corremos perigo de facilmente sermos contaminados com nosso próprio veneno. 

Não canso de ver vendedores, executivos e empresários bem-sucedidos caindo na tentação do supérfluo. Estamos todos os dias envolvidos com aparências, relacionamentos e demonstração de poder. É comum happy hours, encontros e reuniões onde se busca impressionar e demonstrar que somos vencedores. Acaba-se ostentando, buscando sinalizar para clientes e colegas o quão bom se é. Daí vem relógios, canetas, joias, bebidas requintadas, carros, roupas de marca, esportes sofisticados e tudo mais que puder demonstrar que se chegou lá.
Quem se deixa dominar pela luxúria acaba querendo cada vez mais, a qualquer custo, perdendo o controle e se distanciando do essencial.
Quem se deixa dominar pela luxúria acaba querendo cada vez mais, a qualquer custo, perdendo o controle e se distanciando do essencial. A impulsividade e a obsessão em conquistar são bacanas para os negócios, desde que sejam na medida certa. Caso contrário, acaba-se perdendo amigos, clientes, carreiras e dinheiro, ao se deixar dominar por paixões ao invés da racionalidade. Se meu amigo tivesse sido racional e feito uma análise simples do retorno daquele gasto, festejaria do mesmo jeito, só que com mais grana no bolso.

Boas vendas e excelentes negociações!

Renato Romeo 

Sócio-Fundador
SaleSolution



 

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